Redata: o que muda com o novo regime para data centers e o que isso tem a ver com a China

Sancionado em 15 de setembro, o Redata suspende tributos na compra de equipamentos para data centers, com contrapartidas. Um novo ambiente para investimentos e parcerias com a China.

Em 15 de setembro de 2026 foi sancionada a Lei nº 15.504, que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter — o Redata. O objetivo é estimular a instalação, a modernização e a ampliação de data centers no Brasil, com foco em computação em nuvem, inteligência artificial, processamento de alto desempenho e armazenamento de dados.

O que muda para quem investe

Empresas habilitadas no Redata terão suspensão de tributos na compra de equipamentos para projetos de data center, por até cinco anos:

  • Imposto de Importação;
  • PIS/Cofins;
  • PIS/Cofins-Importação;
  • IPI.

No caso do Imposto de Importação, o benefício vale para produtos sem similar nacional. A intenção é reduzir o custo de implantação e tornar o país mais competitivo na disputa por projetos de infraestrutura digital.

O governo estima renúncia de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.

As contrapartidas

O benefício não é automático. Para acessá-lo, as empresas precisam cumprir condições:

  • destinar ao mercado interno pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados instalada;
  • investir 2% do valor dos produtos adquiridos com o benefício em pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil;
  • usar energia de fontes renováveis ou de baixa emissão e cumprir critérios de sustentabilidade;
  • atender a critérios de eficiência hídrica nos sistemas de refrigeração.

Se as metas não forem cumpridas, o tributo suspenso pode ser cobrado.

O que isso tem a ver com a China

A China tem algumas das maiores empresas do mundo em nuvem, inteligência artificial e equipamentos de infraestrutura digital, além de uma cadeia industrial consolidada de servidores, componentes e soluções de energia.

Um regime que barateia a importação de equipamentos e exige energia limpa e eficiência hídrica cria espaço para cooperação em várias frentes:

  • investimento em infraestrutura;
  • parcerias tecnológicas em cloud e IA;
  • fornecimento de equipamentos para data centers;
  • soluções de eficiência energética e hídrica;
  • projetos de pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

Data centers estão entre os setores de atuação da CPNCBC, e o interesse chinês no tema no Brasil não é novo: em junho de 2025, a PowerChina recebeu em Pequim uma comitiva do Governo de Santa Catarina para discutir a possível implantação de um data center no estado.

O que acompanhar

Com o Redata, o Brasil entra na disputa por investimentos em infraestrutura digital com regras próprias. Para quem olha para a China, três perguntas ganham relevância nos próximos meses:

  • quais empresas vão se habilitar ao regime;
  • quais tecnologias e fornecedores vão chegar com esses projetos;
  • onde estão as oportunidades de parceria para empresas brasileiras.

Próximos passos

A regulamentação vai definir o processo de habilitação ao regime. A CPNCBC acompanha o tema e está à disposição de empresas brasileiras e chinesas interessadas em projetos de infraestrutura digital — fale com a CPNCBC.

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